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segunda-feira, 25 de maio de 2009

A break


Nada melhor do que um pouco de Alberto Caeiro pra tranquilizar a alma de qualquer um...



Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.


x - x - x


Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

you & your problems

(...) although we may have more than enough to satisfy our material needs we are never satistied and all the while we go on thinking how to make more money, how to have more sensual pleasure even at the cost of others' lives. Such pleasures are short-lived. We lose interest as soon as we have gained something we have craved for. (...) Many people suffer from loss of confidence and face difficulties in deciding what to do with their lives. The main cause of this mental attitude is ambition and anxiety, created by competition, jealousy and fear. (...) Whether we make ourselves more miserable or not depends on how much we allow our minds to affect us.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Quem é você? De onde vem o mundo?

(...) Mas seria possível o nascimento determinar, de fato, a figura de cada um? Não era estranho que ela não soubesse quem era? Não era absurdo não poder decidir nada quanto à sua figura? Tinha simplesmente nascido consigo. Podia escolher os seus amigos, mas não se escolhera a si mesma. Nunca tinha decidido que queria ser um ser humano. O que era um ser humano?

(...)

Depois de ter pensado um pouco acerca do fato de existir, começou também a pensar que não estaria ali sempre. "Neste momento estou no mundo", pensou, "mas um dia terei desaparecido" (...) Não era triste que a maior parte das pessoas tivesse que ficar doente para reconhecer que a vida era bela?

(...)

"De onde vem o mundo?" Não, ela não o sabia. Sofia sabia obviamente que a Terra era apenas um pequeno planeta no universo imenso. Mas de onde vinha o universo? Era possível pensar que o universo tivesse existido sempre; sendo assim, não precisava procurar a resposta para a pergunta sobre a sua origem. Mas poderia alguma coisa ser eterna? Qualquer coisa nela recusava esta ideia. Tudo o que existe tem que ter um começo. Por isso, o universo tinha de ter surgido de outra coisa.

Mas se o universo tivesse surgido subitamente de uma outra coisa, então também esta outra coisa teria de ter surgido, a dada altura, de uma outra. Sofia compreendeu que apenas diferia o problema. Afinal, alguma coisa teria de ter surgido do nada a certa altura. Mas seria isso possível? Este pensamento não seria tão impossível como o de o mundo ter sempre existido?

Na aula de religião, aprendiam que Deus tinha criado o mundo, e Sofia procurou então tranquilizar-se com a ideia de que essa era, no fundo, a melhor solução para o problema. No entanto,começou de novo a pensar. Podia facilmente aceitar que Deus tivesse criado o universo, mas o que se passava pensando em Deus? Será que se tinha criado a si mesmo do nada? De novo, algo nela discordava deste pensamento.

(...)


Não podemos saber se Deus existe ou se há vida depois da morte, consultando a enciclopédia. A enciclopédia não nos diz como devemos viver. Mas ler o que outros homens pensaram pode no entanto ser uma ajuda, se quisermos formar a nossa própria concepção da vida e do mundo.
(...)